A Gastrenterologia é, para muitos, um termo distante, reconhecido apenas pela sua ligação ao processo digestivo. Contudo, por trás desta designação reside uma das áreas mais fascinantes e em constante evolução da medicina moderna, cujo impacto clínico, social e cultural se tornou particularmente visível nas últimas décadas.
O tubo digestivo é, em termos simples, o nosso revestimento interior — uma fronteira viva entre o corpo e o mundo exterior. É nele que se processa um diálogo permanente: interpreta sinais, aproveita nutrientes, combate agentes nocivos, recicla o que é degradado e define com rigor o que é útil e o que deve ser rejeitado. Como se possuísse inteligência própria, esta complexa estrutura biológica é estudada, compreendida e cuidada pela Gastrenterologia.
O Serviço de Gastrenterologia da ULS São João tem sido, ao longo dos últimos 50 anos, um espaço de conhecimento, inovação e humanização. Um serviço que cuida da saúde digestiva em toda a sua abrangência — da prevenção ao diagnóstico, do tratamento à investigação — e que assume papel central na formação de novas gerações de médicos e na incorporação de avanços tecnológicos, em particular através da Endoscopia Digestiva, hoje um dos campos mais dinâmicos da prática médica.
Neste meio século de história, celebramos não apenas números — como os 28 mil procedimentos e 30 mil consultas realizadas todos os anos — mas, sobretudo, a visão de um serviço que alia segurança e sustentabilidade, rigor científico e proximidade humana, inovação e capacidade de acolhimento.

Com estratégias simples de Prevenção, com procedimentos que embora sejam tecnologicamente muito sofisticados foram tornados mais acessíveis para Diagnóstico, e com decisões Terapêuticas que incluem grande amplitude de opções e com grande eficácia clínica.

A extraordinária evolução tecnológica nos últimos anos a permitir escrutinar, ao detalhe, o interior do nosso organismo. As soluções engenhosas de procedimentos instrumentais para ter acesso e tratar, localmente, situações clínicas que há muito pouco tempo eram irremediáveis. A disponibilidade de fármacos inovadores, a permitir curar doenças infeciosas que evoluiriam para a cronicidade, e a permitir controlar adequadamente a inflamação, verdadeira condição pré maligna nos órgãos digestivos.

É no universo da Oncologia Digestiva que se registaram os mais visíveis avanços: no rastreio e prevenção do cancro do intestino (colon e reto), no diagnóstico precoce do cancro do esófago do estômago, e no pâncreas. Na Hepatologia, pelo importante relevo social das doenças infeciosas do fígado e significativo impacto económico que a doença crónica do fígado acarreta. A Endoscopia Digestiva com métodos tecnológicos muito avançados, que permitem procurar identificar ao detalhe, todas as lesões em todos os momentos evolutivos da patologia do tubo digestivo.

Porque a Sociedade Civil tem um nível crescente de perceção e de consciência sobre a dimensão coletiva e pessoal das doenças que afetam o aparelho digestivo, e dos recursos económicos que se tornam necessários para ultrapassar patologias de grande frequência e gravidade.